
Sentou-se embaixo de uma grande árvore com uma grande sombra. Ela esperava ansiosamente que toda aquela paisagem exuberante lhe proporcionasse toda a inspiração que a tempos não tinha. Ela olhava cada vez mais fixamente para o horizonte em busca de algo que ela não sabia o que era, tinha um desejo íntimo e sincero de que todo aquele pesadelo acabasse logo…. Porque, sim, para ela aquilo tudo não passava de um mero pesadelo do qual ela não conseguia sair, mas que um dia iria acabar. E sabia disso mais do que ninguém, mas, por saber disso e por saber que a responsabilidade de tudo estava nas suas mãos, ela se martirizava mais e mais. Ninguém sabia disso, ninguém imaginava as proporções do seu sofrimento. Para todos, eles sofriam e tentavam reparar os efeitos de um erro com dimensões jamais pensadas, enquanto ela se divertia e aproveitava todos os prazeres da vida sem se importar com o erro que ela cometeu. Mas ela sabia que se importava mais do que eles, que aquilo pesava mais para ela do que para eles.
Ela estava parada, olhos fixos no horizonte, em busca de uma resposta que aquele horizonte jamais irá lhe dar. Ela necessitava agir, mas tudo a impedia. Cada vez que ela olhava ao seu redor e via a grandeza a qual estava envolta, se sentia menor, se sentia mais impossibilitada de resolver o que tinha que resolver, porque, por mais simplicidade que as pessoas atribuíssem aos fatos, ela sabia o quão complicado aquilo tudo era e todo o meio complicava mais ainda a resolução, o desfecho. E de uns tempos para cá, uma onda interminável de medo invadiu sua alma, fazendo-a pensar cada vez mais em algo que ela tentava, pelo menos fora de casa, esquecer. Ela tinha um medo absurdo de que as consequências de seu ato impensado surgissem mais cedo do que o esperado. Então, se o telefone passasse dias sem tocar, era um motivo para pesadelos horríveis atordoarem seu sono. Se surgissem sensações de que algo estava errado e desse um aperto no peito, era motivo para que ela ficasse inquieta e ignorante com todos, mesmo sem querer ser.
E pensando nisso e olhando para o horizonte, em busca daquela resposta que nunca chegaria, uma lágrima amargurada começou a descer pela sua face. Então, ela escorou suas costas na grande árvore e ficou observando, ao longe, umas borboletas coloridas e pensou que era assim que ela queria sua vida: colorida e alegre; viu uns pássaros voarem baixo, cantando e ela desejou ser livre como aqueles pássaros, desejou poder voar tão alto como lhe fosse possível, alto o suficiente para que todos aqueles problemas parassem de atordoar-lhe a alma. Por muito tempo, ali parada, sentindo aquele cheiro inconfundível de felicidade simplificada, ela teve vontade de nunca mais voltar, de permanecer ali e esquecer o mundo do qual fizera parte. Pois, afinal, por que fazer parte de um mundo que a faz sofrer tanto, que os problemas ganham proporções tão cruéis?
Ela estava cansada e isso estava escancarado em seu olhar. Ela já não era a mesma, aquela garotinha simpática estava cheia de rancor. Ela ainda existia e esse momento (a grande árvore sobre a garota que sorria superficialmente ao ver a beleza e a graciosidade das borboletas e a exuberância dos pássaros) demonstravam e firmavam fielmente a sua existência. Ela apenas não conseguia se mostrar ao mundo porque o mundo não permitia isso dela. As consequências de seu ato quase irreversível, aliado à aspereza com que as pessoas a tratavam, tornou-a assim.
Mas ela ainda acredita em finais felizes e, por acreditar, ela ainda vive, mesmo que de forma meio deturpada. Mas ela vive. Vive em função de uma coisa bonita para a sua vida e para vida de todos que ela fez e faz sofrer. Sem guardar rancor, sem se alimentar de mágoas. Ela transborda toda de amor. Um amor que ninguém sabe de onde vem e ninguém entende porque permanece. Ela, entretanto, não tenta explicar. Mas ela sabe bem. Então já estava anoitecendo e ela continuava debaixo da grande árvore, agora olhando o sol se pôr…

Acadêmica do Curso de Pedagogia.
Aquariana com ascendente em touro raiz, 21 anos, mãe. Apaixonada por boas ações. Amante dos filmes “Lista de Schindler” e “Até o último homem”. Estudante de pedagogia e apaixonada por ensinar, por mostrar, por abrir mentes!
@_gabibar